sábado, 19 de fevereiro de 2011

Lungu Ioan

Era uma vez uma família que não festejava Natal. Na cidade onde vivia, o Natal era uma festa muito importante e essa família perguntava-se muitas vezes por que motivo andava a cidade nesses dias tão agitada a comprar pinheiros enfeites e prendas.
O filho mais novo, o Miguelito, quando ia para a escola, só ouvia falar no Natal e ficava triste porque era o único que não sabia o que era. Um dia, depois de muito pensar sobre o assunto, decidiu que haveria de descobrir que festa era afinal aquela de que todos tanto gostavam e falavam. Seria fácil. Pediria à sua melhor amiga, a Marianinha, se o deixaria passar o noite de Natal em sua casa.
A Marianinha, que, além de simpática, era muito sua amiga, disse-lhe sem hesitar:
- Claro que sim. A que horas queres que o meu pai te vá buscar?
O Miguelito nem cabia em si de tanta satisfação. Finalmente iria experimentar o tal calor de que tinha ouvido falar tantas vezes.
Chegado o dia, lá foi. Chegado a casa da amiga ficou fascinado com o que viu: um pinheiro com bolas cintilantes, luzes que piscavam e fitas brilhantes. Na mesa da sala de jantar, decorada com velas acesas e guardanapos coloridos, havia muitos doces e um enorme bolo-rei coberto com frutos secos e açúcar branco. Estava tudo muito bonito.
Depois de jantar, os dois amigos brincaram com vários jogos, viram alguns filmes de desenhos animados e até leram em voz alta, para a família de Marianinha, um conto de Natal. Estava a ser uma noite fantástica. Que pena os seus pais não estarem ali.
Chegada a meia-noite o pai da Marianinha - que entretanto voltara para casa depois de, disse ele, ter tido necessidade de visitar um amigo – disse:
- Toca a apagar a luz e vamos todos para a outra sala porque, não tarda muito, chegará o Pai Natal colocar as prendas junto do pinheiro.
Apagadas as luzes ouviu-se então um ruído e, passados alguns instantes, o pai da Marianinha disse:
- Agora o primeiro a entrar na sala é o Miguelinho, pois é nosso convidado.
Miguelinho, um pouco receoso, porque as luzes ainda estavam apagadas, lá entrou e, quando estas se acenderam, teve a maior surpresa da sua vida. Junto ao pinheiro estavam os seus pais. Foi o dia mais feliz da sua vida e, desde então, ficou a saber que o verdadeiro Natal é a amizade.
Texto vencedor do 3º prémio do concurso
literário "Um Conto de Natal" do AVERT