Se eu fosse um objecto seria uma caixinha de música. Guardaria bonitas jóias, como colares de diamantes ou pulseiras de ouro. Moraria no quarto enorme de um palacete, com três camas, tapetes macios e lençóis de seda. Quando me abrissem, ouviriam uma melodia maravilhosa que acompanhava uma elegante bailarina a dançar ballet, e eu sentir-me-ia orgulhosa ao ver as crianças da casa a divertirem-se tanto comigo. Seria maravilhoso ver o que uma simples caixinha de música como eu conseguia fazer.
Anos mais tarde, já um pouco desafinada pelo uso e gasta pelas mãos incansáveis das crianças, sentiria que, mais importante que a minha beleza exterior, era a alegria e as emoções que eu lhes reservaria no interior.
Mariana Almeida